Dieta para Pré-Diabetes: Guia Completo para Iniciantes

Dieta para Pré-Diabetes: Guia Completo para Iniciantes

A diabetes é uma doença que preocupa bastante os profissionais da saúde e, principalmente, a população em geral.

No caso da diabetes tipo 1, ela é autoimune e hereditária, enquanto a diabetes tipo 2 é desenvolvida por conta dos maus hábitos de vida, como má alimentação, sedentarismo e uso de álcool e tabaco.

O que muitos não sabem é que antes que alguém efetivamente desenvolva a diabetes tipo 2, existe um pré-estágio em que a pessoa apresenta níveis alterados de glicemia.

Esse estágio anterior à diabetes é conhecido como pré-diabetes e mais de 70% das pessoas que passam por esse estágio vão chegar a ter problemas concretos de controle de glicemia e insulina.

Por ano, mais de 10% do total de pacientes pré-diabéticos desenvolvem a doença efetiva, o que é um número alarmante.

Isso torna-se pior ainda quando se descobre que apenas com algumas medidas preventivas, entre elas a mudança na alimentação (a mais importante de todas), é possível pessoas com pré-diabetes reverterem o quadro.

Através da adoção de uma dieta para pré-diabetes, o paciente pode normalizar seus níveis glicêmicos e reduzir o risco do desenvolvimento da diabetes.

Se você encontra-se nesse momento nesse pré-estágio, então esse artigo é de essencial importância para a sua saúde.

Nele, você aprenderá um pouco mais sobre a pré-diabetes e a dieta para pré-diabetes, entendendo como ela pode reverter a sua condição.

Dieta para pré-diabetes: Um guia completo

O que é a pré-diabetes?

A pré-diabetes é uma condição clínica caracterizada por uma alteração nos níveis glicêmicos sanguíneos, que apresentam-se acima do normal.

Para que alguém seja diagnosticado com pré-diabetes, alguns desses três exames deverão apresentar os seguintes valores:

  • Exame de glicemia de jejum de 8 horas: Entre 100 e 125 mg/dL
  • Exame de hemoglobina glicada: Entre 5,7 e 6,5%
  • Teste oral de tolerância à glicose: Entre 140 e 199 mg/dL

Apesar de estarem mais elevados do que os níveis considerados normais, esse estágio ainda não pode ser classificado como diabetes.

As taxas de glicose elevadas estão associadas à maior resistência dos tecidos à insulina, ou seja, o corpo não consegue utilizá-la corretamente, o que causa problemas no metabolismo dos carboidratos.

Dessa forma, a pré-diabetes costuma ser um precursor da diabetes melitus tipo 2, principalmente se não for tratada, e é considerada como um “estágio” entre um organismo saudável e um paciente diabético.

Quando alguém é diagnosticado com pré-diabetes, isso serve como um alerta para que ela comece a realizar mudanças em sua vida.

A probabilidade de essa pessoa vir a apresentar tanto diabetes quanto doenças cardiovasculares dentro de 10 anos é alta, mas essas chances podem ser revertidas.

O principal meio para normalizar os níveis de glicose sanguínea e evitar o desenvolvimento da diabetes em um paciente pré-diabético é a mudança alimentar.

É por isso que é importante seguir uma dieta para pré-diabetes, um tratamento precoce, para impedir danos futuros maiores.

Dieta para pré-diabetes: o que é e como funciona?

Entre os fatores que podem aumentar o risco de pré-diabetes e, consequentemente, de diabetes (como genética, sedentarismo, uso de álcool e tabaco), o que tem maior relevância são os maus hábitos alimentes.

Assim como a alimentação pode ser a principal responsável por levar alguém a um quadro de pré-diabetes, ela também é a resposta para o seu combate.

Uma alimentação rica em alimentos gordurosos e, especialmente, em alimentos ricos em açúcar (com ênfase no refinado) cria uma resistência dos tecidos à insulina.

Com isso, a cada vez que você come alimentos ricos em carboidratos, principalmente os de alto índice glicêmico, a glicose começa a acumular-se no seu sangue.

Aliás, o tipo (e também a quantidade) de carboidratos consumidos é que pode levar ao surgimento do quadro de pré-diabetes, e não os carboidratos em geral.

Alimentos como biscoitos recheados, pão branco, arroz, chocolates e refrigerantes (além do açúcar cristal) são rapidamente absorvidos pelo organismo e causam picos perigosos de glicose no sangue.

Se você não modifica a alimentação, esses constantes picos vão piorando a resistência dos seus tecidos corporais à insulina e, inclusive, prejudicando o seu pâncreas que não mais consegue produzir esse hormônio.

Dessa forma, uma dieta para pré-diabetes deve ser baseada no consumo de alimentos com baixo a médio índice glicêmico e mais naturais possíveis.

Carboidratos na dieta para pré- diabetes: controle do índice glicêmico

O principal nutriente que deve ser observado em uma dieta para pré-diabetes é o carboidrato.

Os alimentos ricos em carboidratos, como frutas, tubérculos, cereais e industrializados apresentam diferentes índices glicêmicos.

Esse índice, também conhecido como IG, nada mais é do que uma forma de saber como o consumo de um alimento irá afetar os níveis de glicose no sangue após a sua ingestão.

Os alimentos que possuem alto índice glicêmico provocam um súbito aumento nos níveis de glicose sanguínea, fazendo com que haja uma grande produção e liberação de insulina no organismo.

São esses alimentos que começam a produzir os efeitos que levam a pré-diabetes e que se não forem limitados da alimentação podem levar ao diabetes propriamente dito.

Os que possuem carboidratos refinados (e não possuem fibras) são os que têm maior índice glicêmico, como o açúcar cristal, chocolates, massas refinadas, tubérculos, refrigerantes e até alguns sucos naturais.

Por outro lado, aqueles que apresentam baixo ou médio índice glicêmico, como os que possuem muitas fibras, não lançam picos de glicemia nem de insulina.

Entre os alimentos com médio índice glicêmico estão o arroz integral, o pão integral e algumas frutas.

Já os alimentos de baixo índice glicêmico têm, entre seus representantes, a aveia, vegetais com baixo amido (como as folhas), feijão e milho.

Se você precisar consumir um alimento embalado, observe as quantidades de fibras que ele possui, pois esse é um bom indicador do IG (mais fibras, menor IG).

Dieta pré-diabetes: gorduras insaturadas também são importantes, assim como as carnes magras

Em uma dieta para pré-diabetes, os alimentos com carboidratos de baixo e médio índice glicêmico são muito importantes, mas não são as únicas recomendações.

As gorduras, por mais que não afetem diretamente os níveis de glicose sanguínea, podem fazer toda a diferença na saúde e também nos índices inflamatórios do organismo.

Quanto mais gorduras saturadas e trans você consumir, maiores serão os níveis inflamatórios e maior a produção de gordura no seu corpo, que leva ao aumento do peso.

O excesso de peso (e de gordura corporal) é um dos principais fatores de risco para o diabetes, portanto alguém no estágio de pré-diabetes deve priorizar a perda ou manutenção do peso atual.

Dessa forma, as gorduras insaturadas, mono ou poli, entram como itens obrigatórios em uma dieta para pré-diabetes.

Elas trazem diversos benefícios ao organismo, entre eles a melhora da saúde cardiovascular, cerebral e também a redução da inflamação (são excelentes anti-inflamatórios).

A gorduras insaturadas são encontradas em alimentos como abacate, peixes de água fria (salmão e atum são exemplos), castanhas, nozes, chia, linhaça e azeite de oliva.

Seguindo a estratégia de reduzir as gorduras saturadas, o consumo de carnes magras (e de qualquer tipo de alimento proteico magro) é imprescindível para diminuir a ingestão desse tipo de gordura.

São opções proteicas magras:

  • Iogurtes desnatados sem açúcar
  • Clara de ovo
  • Soja e derivados
  • Peito de frango e outras partes sem a pele
  • Alguns cortes bovinos (como patinho e lagarto)
  • As leguminosas (como o feijãoe o grão de bico)

De uma forma geral, como você pôde observar, uma dieta para pré-diabetes deve seguir alguns padrões de uma dieta low carb, como o aumento do consumo de gorduras insaturadas e redução de carboidratos refinados (alto IG).

Entretanto, diferentemente dessas dietas que restringem muito o consumo de qualquer tipo de carboidrato, uma dieta para pré-diabéticos deve ser menos radical nesse aspecto.

Outros fatores para uma dieta para pré-diabetes

Outros dois fatores que estão relacionados a uma dieta para pré-diabetes eficiente, apesar de não estarem ligados diretamente aos alimentos, é a prática de exercícios e a hidratação.

Os exercícios físicos precisam estar associados a uma dieta saudável para que a normalização do índice glicêmico seja mais efetiva e eficaz.

Em relação a eles, a prática de 30 minutos de qualquer exercício durante cinco dias da semana já é suficiente para melhorar os níveis de tolerância à insulina e também os de glicemia.

Exemplo de plano alimentar de dieta para pré-diabetes

Agora que você conheceu mais sobre mais sobre a pré-diabetes e a dieta para combater essa condição clínica, está na hora de conhecer um exemplo de plano alimentar para essa dieta.

Acompanhe agora um plano alimentar completo do desjejum até a ceia!

Café da manhã/ Desjejum:

  • Torradas integrais com suco de uva integral

Lanche da manhã:

  • Mix de oleaginosas (castanhas, nozes e amêndoas)

Almoço:

  • Peixe grelhado
  • Legumes cozidos no vapor (brócolis, couve flor, cenoura)
  • ½ concha de feijão
  • Gelatina light (sobremesa)

Lanche da tarde:

  • Smoothie de morango (leite desnatado, 3 morangos congelados, 1 colher de sobremesa de aveia, 1 colher de chá de linhaça)

Jantar:

  • Carne magra cozida
  • Purê de abóbora
  • Salada de folhas verdes (alface, agrião, rúcula)

Ceia:

  • 1 maçã com casca

Perguntas frequentes sobre a pré-diabetes e a dieta para pré-diabetes

Quais as chances de alguém com pré-diabetes vir a ter diabetes?

Como dito no início desse artigo, as estatísticas mostram que 70% das pessoas que possuem pré-diabetes e não se cuidam (atenção a esse detalhe) acabam desenvolvendo a diabetes.

Entretanto, através de uma boa prevenção com a dieta pré-diabetes é possível reduzir esse risco, aliando-a, obviamente, a outros fatores como a prática de exercícios e a redução do peso corporal.

Após à visita a um profissional da saúde (endocrinologista), ele poderá indicar quais os riscos de você vir a ter diabetes e qual a melhor prevenção.

Para que a sua dieta pré-diabetes tenha efeito, você deve contar com outro profissional, o nutricionista, que é especializado nessa área.

Então apenas com a dieta para pré-diabetes e a prática de exercícios é possível reverter o quadro?

Digamos que na maioria dos casos, a mudança nos hábitos alimentares e a prática de exercícios são suficientes para reverter o quadro de pré-diabetes.

Entretanto, em alguns casos em que o estágio de pré-diabetes está mais avançado, o uso de fármacos (medicamentos) pode ser indicado como um tratamento complementar.

Não posso mais comer chocolate quando estiver na dieta para pré-diabetes?

Com você viu ao longo do texto, o consumo de alimentos com alto índice glicêmico, faixa em que está inclusa o chocolate, devem ser evitados.

Esses alimentos, que possuem altas quantidades de carboidratos refinados, e poucas fibras, aumentam os níveis glicêmicos de forma rápida e podem agravar o quadro de pré-diabetes.

Dessa forma, é interessante que você não faça o consumo de chocolate, mas é possível conversar com um nutricionista para ele analisar o seu caso.

Entretanto, uma ótima opção para você não ter que parar de fazer o consumo do chocolate é optar pelas versões diets, zero açúcar e com mais 70% de cacau.

O consumo de álcool é permitido durante a dieta para pré-diabéticos?

O consumo de álcool é um dos fatores de risco para o desenvolvimento da diabetes, já que faz parte dos maus hábitos de vida.

Alguém que já está com um quadro de glicemia alterada deve evitar ao máximo fazer o consumo de bebidas alcoólicas, principalmente de forma constante.

É preciso que você tente não fazer o consumo de álcool ao máximo, mas se for fazer, que deixe para situações esporádicas (não torne um hábito).

Você deve conversar com o médico e com o nutricionista sobre se é possível o consumo de álcool no seu caso, principalmente se você estiver fazendo uso de medicamentos.

Conclusão

Como você pôde ver, a pré-diabetes é um quadro clínico caracterizado pelo aumento dos níveis de glicemia sanguínea.

Ao contrário do que muitos pensam, ter pré-diabetes não significa que você tem diabetes (ainda) e portanto é a única fase em que é possível reverter esses níveis elevados de glicose.

Seguindo a dieta para pré-diabetes, você conseguirá normalizar o seu estado glicêmico e reverter o quadro, evitando assim sofrer com a diabetes para o resto da vida (lembrando que ela é crônica, ou seja, não tem cura, apenas controle).

Gostou do artigo de hoje sobre dieta para pré-diabetes?

Se ficou com alguma dúvida sobre esse assunto, escreva-a abaixo nos comentários para que eu possa ajudá-lo.

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